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terça-feira, 6 de maio de 2008

Editorial

Chega em casa, anda lentamente até o refrigerador, pega uma garrafa de uísque e, a primeiro momento, sente-se satisfeito. Por que no refrigerador? Não sei, não entendo de uísque. Apenas está lá. Após colocá-lo num copo - que não é de uísque – senta-se no sofá. Sente-se bem, e sente também aquela vontade de escutar uma boa música. A música que o marcou, a música que o faz lembrar aquela garota que conheceu e conviveu há algum tempo atrás. A música favorita que escuta de repente na rádio, sem ao menos esperar ela naquele instante, que deste jeito se torna mais gostosa de quando tocada propositalmente. Amargurar, segundo minha concepção, às vezes é necessário, e faz que com que este sentimento de “homem amofinado” consiga me colocar novamente nos trilhos. Enfim, ele quer escutar aquela música que o faz sentir bem. Ou mal. Ele? Ele – eu, você, o Juquinha, ou o Zé. Seja ele quem for. Sente-se bem e mal ao mesmo tempo. Ou melhor, sente-se mal pra se sentir bem. O que a música faz? E como? Um estranho prazer é aquele que queremos, mas por qual não lutamos. Um choro com vontade, e satisfação. Um sofrimento exultante. E o papel da música? E aquelas combinações de acordes e notas formando harmonias perfeitas – pra certos momentos de piração – que fazem mentes viajar e afastar-se do mundo? Apenas para quem tem a sensibilidade musical - e emocional- à própria disposição.